Nossa metodologia 
ASSESSORIA TÉCNICA

          No contexto da Política Nacional de Extensão e na nova política dos Decanatos de Extensão e Pesquisa e Inovação da UnB os trabalhos do Grupo Periférico abrangem os eixos “Empreendedorismo, Tecnologia e Produção”, “Arte, Cultura e Sociedade”, “Ambiente e Sustentabilidade”, “Saúde, Qualidade de Vida e o Bem Viver na Comunidade”.  O eixo “Empreendedorismo, Tecnologia e Produção” visa “promover a interação entre a Universidade e as forças produtivas, valorizando o empreendedorismo e a inovação tecnológica e social”. Porém, o grupo propõe ir além do discurso semântico sobre “inovacionismo e o empreendedorismo” para uma plataforma cognitiva quanto à tecnologia social em quatro dimensões: de dispositivo, de desejo, saber-se fazer operatório, e saber-fazer que gera a própria tecnologia. Visa integrar o conhecimento técnico ao conhecimento popular, considerando o "sujeito sociotécnico" e seu conhecimento tácito, sejam eles membros do governo ou acadêmicos, e a comunidade alvo de suas ações na busca por intervenções participativas. 

          As linhas de pesquisa do Grupo de Pesquisa e Extensão “Periférico, trabalhos emergentes” incluem: 

  • (1) Assessoria/Assistência Técnica para Habitação Social, Autogestão e Lugares Mais Sustentáveis;

  • (2) Inovação e Tecnologia Social: Ecoturismo e Economia Solidária, Infraestrutura Ecológica e Agroecologia;

  • (3) Microplanejamento, Microurbanismo, Informalidade, Direito à Cidade, Pedagogias, Táticas Urbanas e Direito à Cidade; 

  • (4) Ecossistemas Urbanos, Heterogeneidade Espacial

  • (5) Padrões Espaciais e Fluxos de Água,

  • (6) Cidades Saudáveis, Mobilização Social em Comunidades e Metodologias Ativas.

          A pesquisa-ação é considerada uma modalidade de intervenção coletiva, inspirada nas técnicas de tomada de decisão, que associa atores e pesquisadores em procedimento conjunto de ação com vistas a melhorar uma situação precisa.  Deve ser avaliada de forma sistemática, apreciada e fundamentada em uma concepção compartilhada para promover a transformação. Parte-se de demandas e vocações levantadas por meio da análise do problema (identidade local, saberes existentes, padrões espaciais e de acontecimentos de acordo com as dimensões da sustentabilidade, social, cultural e emocional, econômica e ambiental), sistematiza-se tais padrões para estabelecer uma linguagem com a comunidade, aumentando a sua participação no processo, na forma de códigos geradores.

          Os trabalhos desenvolvidos no Projeto de Extensão de Ação Contínua – PEAC/DEX “Periférico, trabalhos emergentes FAU/UnB desde 2013 (institucionalizado em 2016) buscam trabalhar com comunidades de forma emergente na participação da elaboração de projetos de arquitetura e urbanismo em Editais do Decanato de Extensão e nos Trabalhos Finais de Graduação, visando melhorar a atuação dos arquitetos na produção do ambiente construído. O Periférico também atua em parceria com o Escritório-Modelo CASAS da FAU/UnB.

O Periférico desenvolve trabalhos em assistência/assessoria técnica (ATHIS mais abrangente e sistêmica) envolvendo as comunidades, articulando ou agenciando associações e coletivos existentes, no processo de elaboração de projetos de arquitetura e urbanismo de: habitação social no campo e na cidade, urbanismo participativo (planejamento do território, planos de bairro, planos de vila) em ocupações urbanas para contribuir no processo de regularização fundiária, pedagogia urbana em escolas públicas para jovens e crianças, espaços socioprodutivos no campo, construção de cenários mais sustentáveis agroecológicos em assentamentos rurais, planejamento afrorrural para territórios quilombolas, equipamentos comunitários e culturais, espaços públicos e parques urbanos, circuitos culturais, praças abandonas, vias deterioradas e becos. Contabiliza-se aproximadamente 25 trabalhos até o momento.

          Tem atuado em diversas comunidades periféricas do Distrito Federal na região do entorno do DF em Goiás como Luziânia e Valparaíso, na Chapada dos Veadeiros em Cavalcante, bem como assentamentos da Reforma Agrária do MST na região de Planaltina Territórios Quilombolas em Goiás além de Ocupações em edifícios abandonados e culturais emergentes no Plano Piloto, a Vila Cultural e o CONIC. O Quilombo Mesquita, nas proximidades de Brasília, foi o território escolhido para a aplicação dos trabalhos da Nucleação da Residência AU+E UNB-FAU/UFBA para atender as demandas levantadas a partir de trabalho já realizado pelo Periférico, apontadas pela comunidade bem como oportunidade de trocas de saberes e experiências com os moradores da região. Atualmente, junto com o EMAU/CASAS, está trabalhando no processo de regularização fundiária com a Ocupação Urbana Irmã Dorothy Stang na região de Sobradinho – DF e na Chácara Santa Luzia na Cidade Estrutural, região do antigo lixão de Brasília, nos limites do Parque Nacional de Brasília.

         O grupo está vinculado ao Núcleo de Política, Ciência, Tecnologia e Sociedade – NPTCS,  liderado pelo professor Ricardo Toledo Neder, do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares – CEAM/UnB,   que tem em sua carta de princípios   como   marco sinalizador   a   noção   de  cidadania sociotécnica, assumindo  que existe   uma   questão   político   cognitiva,   e   ideológico   existencial   vivida   pelos   mais diversos grupos sociais, movimentos sociais, movimentos operários e sindicais, entre outros, diante da questão da democratização dos processos de mudança tecnológica para que os sujeitos possam incidir sobre a política científica e tecnológica.

COMO FAZEMOS
Nossa metodologia 

           Considerando o conceito de adequação sociotécnica – AST no qual os sujeitos do conhecimento científico compartilham seus códigos técnicos com os sujeitos sociais organizados, gerando o conceito de “interacionismo pedagógico e sociotécnico”, o processo de projeto do Periférico é dividido em 5 etapas que são inter-relacionadas: (1) análise do contexto físico e social com envolvimento da população local de acordo com as dimensões da sustentabilidade; (2) elaboração e sistematização de padrões espaciais e de acontecimentos a partir das informações levantadas; (3) oficinas de participação, mapas mentais, mapas afetivos e jogo dos padrões (4) construção de cenários, propostas alternativas do estudo preliminar para tomada de decisão (5) entrega do caderno técnico ilustrado.

           A proposta do grupo é resgatar contribuições do urbanismo de tradições orgânicas e participativas do urbanismo, baseado na auto-organização de baixo para cima (botton up), as políticas de moradia popular, as novas políticas baseadas e nos transportes públicos, os edifícios públicos pensados para o aprendizado, o sociabilizar, a comunicação e expressão das pessoas, os espaços ecológicos drenantes, os eixos, os espaços de pedestres e ciclovias que fomentem a diversidade e as relações intersubjetivas.  Inspira-se nos 4 eixos de transformação de Montaner e Muxí (2013): igualdade, diversidade, participação e sustentabilidade.

           O processo de projeto é construído partindo-se das demandas e vocações levantadas e análise do problema (identidade local, saberes existentes, padrões espaciais e de acontecimentos de acordo com as dimensões da sustentabilidade, social, cultural e emocional, econômica e ambiental), sistematiza-se tais padrões para estabelecer uma linguagem com a comunidade, aumentando a sua participação no processo, na forma de  “códigos geradores” de soluções para o processo de desenvolvimento dos projetos os padrões desenvolvidos por Alexander et al (1977) e padrões dos ecossistemas urbanos desenvolvidos por Andrade (2014).  O conceito de ecossistemas urbanos tem duas vertentes: uma que é adotada por pesquisadores do “Cary Institute of Ecosystems Study” dos EUA que abrange os componentes biológicos, físicos, sociais e do ambiente construído; a outra, utilizada por pesquisadores da Espanha como “desenho social urbano” como o desenho de espaços ambientais e dinâmicas para melhorar a auto-organização dos cidadãos, interação social dentro de comunidades e seus relacionamentos com o meio ambiente.

           Considerando os fatores inerentes à área de arquitetura e urbanismo para que os projetos dos Trabalhos Finais de Graduação possam ser aprovados nas bancas avaliativas, além da participação social, além do processo de projeto, o os trabalhos do grupo Periférico contemplam também a pesquisa-ação e a conclusão de um produto final técnico no formato de caderno ilustrado. A seguir, uma definição mais detalhada das 5 etapas que se sobrepõem, ocorrem de forma sistêmica, uma interfere na outra, sem uma sequência rígida.

           A importância da “adequação sociotécnica” está relacionada com os objetivos que se deseja alcançar, com o contexto e com a capacidade de envolvimento da comunidade. As técnicas que exigem alto grau de envolvimento apenas devem ser aplicadas em comunidades que possam oferecer esse retorno, da mesma forma que, em casos de urgência, o processo deve utilizar uma técnica capaz de gerar resultado em pouco tempo como, por exemplo, caminhadas de apreensão do espaço no modelo Jane’s Walk, mapas mentais produzidos na metodologia de Kevin Lynch e mapas afetivos. A tabela 1 ilustra as etapas de envolvimento dos trabalhos.

Etapas
Descrição
Aproximação
Envolvimento inicial por meio eventos, caminhadas coletivas, questionários, entrevistas, mapas mentais, mapas afetivos com infográficos.
Diagnóstico Participativo
Entendimento do problema e potencialidades a partir da análise do contexto físico, social e político de acordo com as dimensões da sustentabilidade ambiental, social, econômica e cultural/afetiva, bem como o direito à cidade.
Táticas Urbanas e agenciamento de atores
Ação interativa no espaço para estimular a conexão entre as pessoas o lugar como, arte urbana, grafites, caminhadas com a comunidade, concurso fotográfico, ou construção de mobiliário urbano. Nesta fase é importante o arquiteto urbanista ter em mente que pode contribuir para agenciar atores e processos existentes. Na Vila Cultura, utilizou-se o jogo Oasis do Instituto Elos como estratégia de ação para articular as pessoas do lugar e construção de parquinho para crianças.
Elaboração de “design interativo”
Desenvolvimento uma “linguagem de padrões” ou “códigos geradores” que podem ser sistematizados a partir dos problemas e soluções apontados pela comunidade e pela análise do contexto local, vinculados às atividades humanas à cultura e à tradição no formato de padrões de acontecimentos que estão diretamente relacionados aos elementos físicos do espaço, que são inter-relacionados, seja a estrutura de uma cidade ou do edifício.
Jogo dos “padrões” com a dinâmica de Café Mundial ou Comunitário
No formato de cartas de baralhos para que os membros da comunidade possam inseri-los na imagem aérea do local de acordo com temas na dinâmica do café mundial.
Apresentação de fotos e imagens de boas práticas
Apresentação de repertório fotográfico com ilustrações de soluções em lugares semelhantes ou apontadas pela comunidade possíveis soluções e desenho à mão livre.
Construção de cenários
A partir da sistematização dos padrões, são apresentados cenários no formato de propostas alternativas a partir dos padrões espaciais e de acontecimentos nas 4 dimensões da sustentabilidade. Utiliza-se quando possível a dinâmica do café mundial.
Produto final – caderno ilustrado
Apresentação do produto intermediário à comunidade antes de ser finalizado o produto no formato de caderno/relatório.
É importante destacar que as técnicas ou métodos participativos variam de acordo com o perfil da comunidade e envolvimento do pesquisador. 

Banca de TFG's - 2017

Assentamento Pequeno William

Periférico na Chapada

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