PLANEJAMENTO SUSTENTÁVEL E SISTÊMICO

Infraestrutura socioecológica e ocupações informais na microbacia do Rio Melchior

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Felipe Souza Lima

A proposta do presente trabalho é identificar e caracterizar as ocupações informais fora de áreas de regularização inseridas na Microbacia ou Unidade Hidrográfica do Rio Melchior, Distrito Federal. Posteriormente, delinear as estratégias de infraestrutura socioecológica para alguns desses assentamentos prioritários. Com isso, estabelecer alternativas de modelos que facilitem o acesso à terra urbana infraestruturada mais rapidamente e com menores impactos ambientais.
Do ponto de vista metodológico, o trabalho foi desenvolvido através da construção de mapas sínteses em diferentes níveis espaciais por meio da sobreposição de mapas temáticos com dados georreferenciados por diversos órgãos públicos e sob a ótica dos padrões espaciais na escala da paisagem e da comunidade (ANDRADE, 2014). Na escala microrregional, se estabelecem diretrizes que pretendem conectar essas ocupações informais com as áreas já previstas para regularização, áreas de relevância ambiental e os setores formais/tradicionais da microbacia. Por fim, na escala do desenho urbano mais refinado, produziu-se uma proposta de ocupação sensível para área que contempla uma expansão informal do Trecho II do Sol Nascente e Projeto de Regularização Etapa II do mesmo trecho dessa Região Administrativa.

COHABITAÇÃO: um modo sustentável de morar na terceira idade  

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Lucas Parahyba

O crescente processo de industrialização e urbanização vem progressivamente alterando a natureza em beneficio dos interesses imediatos da sociedade. A extração irresponsável dos recursos naturais acompanhado do total desprezo por comunidades locais são medidas comuns para o mantimento dos níveis de produção e lucro. Hoje, caminhamos para um cenário de total desequilíbrio do meio ambiente, convivemos com um enorme abismo social e economias vulnerável. É notório o aumento do número de condomínios horizontais residenciais unifamiliares. Os chamados “condomínios fechados” são reflexo e, ao mesmo tempo, estruturas que consolidam o desperdício  de   recursos  naturais  e 

humanos e evidenciam o grande abismo social existente. São constituídos de casas com dimensões exageradas e muros altos, que cercam o loteamento e segregam os espaços, as pessoas e classes sociais. Matam o convívio dentro do bairro e geram locais de baixa qualidade urbana e insustentável. O Plano Diretor de Ordenamento do Território de Eusébio, cidade da região metropolitana de Fortaleza, Ceará, descreve a região de Guaibas como uma área de expansão de condomínios e aponta como característica do bairro uma infraestrutura insuficiente para atender a população, quase toda carente. Assim, torna-se necessário buscar soluções que intensifiquem os laços sociais intra e extra “muro” e, ao mesmo tempo, estabeleçam bases capazes de gerar uma sustentabilidade econômica, social e ambiental. Este trabalho tem como objetivo demonstrar o projeto de uma nova forma de habitar na terceira idade, a Cohabitação (Cohousing), uma nova organização que preconiza o convívio da comunidade entre si e com seu entorno, segundo uma ideologia holística e sustentável. Trata-se de uma organização residencial para terceira idade na cidade de Eusébio. O projeto de Co-habitação está fundamentado em 4 grandes conceitos: Permacultura, Cohousing sênior, Padrões de Alexander (1977) e Acessibilidade Universal. As técnicas permaculturais, baseadas em David Holmgreen, buscam se aproximar da sustentabilidade irrestrita, para cuidar da terra, das pessoas e garantir a partilha justa. O sistema Cohousing para a terceira idade tem interface com os princípios permaculturais que permite fortalecer os laços entre pessoas, buscando soluções localmente e garantindo uma menor pegada ecológica como a Canadian Senior Cohousing Society (CSCS). A construção de parâmetros de projeto utilizados baseia-se nos princípios acessibilidade universal, no método “Uma linguagem de padrões” de Christopher Alexander e nos princípios da permacultua, integrados aos padrões da natureza, afim de manter o eixo de estruturação do projeto Obteve-se como resultado uma implantação inspirada na geometria da natureza com 8 habitações e uma “casa-mãe“, com materiais e técnicas locais de construção, visando o controle ambiental adequado para o clima da região. Uma solução harmoniosa e respeitosa com os moradores e com a comunidade do entorno, de forma a evitar a gentrificação, a exclusão social e os impactos ambientais. Os moradores da Cohousing atuam como agentes de transformação local, utilizando os conhecimentos alcançados na terceira idade, disponibilizando vários recursos humanos e de bem estar social para a população local, como aulas de reforço, cinema e biblioteca. Uma nova estrutura focada no novo paradigma do “cuidado”.